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Acto de Contrição

Acto de Contrição

Freio do Scold ou Brida do Ralho

11.06.20, Alma
    A brida do ralho era usada nas mulheres quando falavam muito, incorriam em boatos e eram maldizentes, porque se acreditava que isso provinha de algo diabólico. Assim controlavam-nas e evitavam que falassem demais.   A invenção foi usada no Reino Unido, mas é originária da Escócia e usada entre os séculos XVI a XIX; constava de uma espécie de gaiola de metal que impedia a fala, através de um (...)

O que nos é tirado

28.05.20, Alma
    Este vírus tirou-me pequenos grandes prazeres. Faltam-me os pés nus em contacto com o chão. Essa comunhão secular entre Humano e Terra. Das despreocupações mais simples que é sujar os pés nos sulcos ainda húmidos, do milho plantado. Atravessar dos charcos, em que as rãs escondidas coaxam alegremente. Andar sob uma chuvada de verão. Agrilhoo os pés dentro de crocs e galochas com o rosto sumido, olhos de fora. Pago por uma delinquência não cometida um preço alto e já (...)

Regresso ao Normal

18.05.20, Alma
    Hoje a maioria dos pais faltou à Creche dos filhos e os que vi na televisão, poucos estavam serenos. Lágrimas de parte a parte, abundaram. Depois deste tempo em casa é normal as crianças apegarem-se mais aos pais e vice-versa. Esta tudo diferente, com principal incidência na máscara, que assusta tanto os pequenitos, como uma bata hospitalar. Deixam de reconhecer as caras a que estão acostumados e de ver os sorrisos que os sossegam e transmitem afectos. É difícil ser (...)

A minha primeira vez

06.05.20, Alma
      Há uma primeira vez para tudo. Hoje foi a minha. De máscara. Como previa não é fácil. Criaram-se também antianticorpos à rua. Logo para começar, aquele impacto da frescura do vento no rosto, fica-se pelos olhos. Quem tem alergias, torna-os um alvo mais acessível. Respirar, falar. Com aquilo a pegar-se ao rosto, é sufocante. As luvas que levava, deixaram-me as mãos tão desconfortáveis como a cara. E os cheiros? A certa altura um camião ultrapassou-me. Pareceu-me (...)

Pandemia

02.05.20, Alma
      Às vezes é preciso que os monstros saiam das histórias e se tornam realidade, para que o homem se assuste com as suas criações.     

Jogo de Interesses

26.04.20, Alma
      Enquanto dê dinheiro e poder, seremos cobaias dos que desenvolvem doenças que nos contagiam, para depois nos venderem a cura. Nada podemos contra isso. Servimos de amostra, para futuras infecções. Sai mais barato. É mais cómodo e "limpo", soltar os vírus na sociedade e ver como agem. Quem irá defender o povo sem voz, ou peso? O mundo é dos que criam as regras do jogo. Não, das peças no tabuleiro.    

Castigo

18.04.20, Alma
   Casal de Médicos  Ben Cayer y Mindy Brock durante a Pandemia Foto: AP/ Nicole Hubbard.   Quando puder, vou dar-te uma abraço de dez minutos. Um beijo, de vinte. Agora só os meus olhos se enchem de ti. Ninguém deveria ter de suportar tanta saudade.    

Estamos todos no mesmo barco

14.04.20, Alma
    Há mais de um mês em casa, quem está a contar os dias? Dias que ameaçam ser todos iguais, por falta de imaginação para mais. Também esta se esgota, mansamente. Presos em casa, andamos por aí à deriva de quarto para sala, alternando paisagens há pouco soalheiras e agora tão desinspiradas como o resto. Chovem gotas grossas. Fecha-se o tempo, com as janelas, que só de descerram para arejar os aposentos. Estender peças. Sacudir panos. Que grande peça nos está a pregar a (...)