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Acto de Contrição

Acto de Contrição

O que nos é tirado

28.05.20, Alma
    Este vírus tirou-me pequenos grandes prazeres. Faltam-me os pés nus em contacto com o chão. Essa comunhão secular entre Humano e Terra. Das despreocupações mais simples que é sujar os pés nos sulcos ainda húmidos, do milho plantado. Atravessar dos charcos, em que as rãs escondidas coaxam alegremente. Andar sob uma chuvada de verão. Agrilhoo os pés dentro de crocs e galochas com o rosto sumido, olhos de fora. Pago por uma delinquência não cometida um preço alto e já (...)

Jogo de Interesses

26.04.20, Alma
      Enquanto dê dinheiro e poder, seremos cobaias dos que desenvolvem doenças que nos contagiam, para depois nos venderem a cura. Nada podemos contra isso. Servimos de amostra, para futuras infecções. Sai mais barato. É mais cómodo e "limpo", soltar os vírus na sociedade e ver como agem. Quem irá defender o povo sem voz, ou peso? O mundo é dos que criam as regras do jogo. Não, das peças no tabuleiro.    

Castigo

18.04.20, Alma
   Casal de Médicos  Ben Cayer y Mindy Brock durante a Pandemia Foto: AP/ Nicole Hubbard.   Quando puder, vou dar-te uma abraço de dez minutos. Um beijo, de vinte. Agora só os meus olhos se enchem de ti. Ninguém deveria ter de suportar tanta saudade.    

Estamos todos no mesmo barco

14.04.20, Alma
    Há mais de um mês em casa, quem está a contar os dias? Dias que ameaçam ser todos iguais, por falta de imaginação para mais. Também esta se esgota, mansamente. Presos em casa, andamos por aí à deriva de quarto para sala, alternando paisagens há pouco soalheiras e agora tão desinspiradas como o resto. Chovem gotas grossas. Fecha-se o tempo, com as janelas, que só de descerram para arejar os aposentos. Estender peças. Sacudir panos. Que grande peça nos está a pregar a (...)

Máscaras e Luvas

08.04.20, Alma
      Expressões como; bofetada com luva branca ou com luva de pelica, são hoje expressões bastardas Confinados entre quatro paredes com tempo de sobra para pensar sobre ninharias, percebemos agora o que é importante.  No que se refere às máscaras que apontávamos aos outros. Fossem elas um mundo de aparências ou um muro de protecção que derivava em afastamento, às vezes não custa dar uma oportunidade às pessoas, sem que tenhamos previamente o instinto de as afastar. As (...)

Dado por adquirido

02.04.20, Alma
    Porque seríamos diferentes dos outros portugueses que atravessaram o duro calvário da peste, ou da gripe espanhola? Somos os mesmos.  Percebemos hoje que um facto histórico falado numa aula, não é uma coisa longínqua. A nossa fragilidade é tão grande, como era em 1347 ou em 1918. Estamos a viver na pele as passagens que ouvimos descrever a professores e cientistas, convictos de que eram coisas do passado. Não sei se o privilégio de ternos outros meios de evasão e de (...)

O Pão Nosso de cada dia

25.03.20, Alma
    Nunca foi tão concreta esta máxima. Fechados em casa ou pomos o pé na rua com possíveis consequências, ou a mão na massa. Por estes dias, muitos dos que estavam habituados a ter tudo à mão ficaram a conhecer a angústia de não ter pão, nem onde o arranjar. Que sirva de ensinamento.          

Reexistir

24.03.20, Alma
  Quando pudermos sair novamente à rua, seremos uma torrente. Uma explosão! Serão tantos os risos e tamanhos os abraços que a nossa história, ficará na História. E todos os que vierem, saberão como resistimos.     

Ontem

22.03.20, Alma
    Éramos crianças egocêntricas a brincar num trapézio sem rede. Felizes sem o saberem. Já éramos e tínhamos tudo o que procurávamos, sem noção de que o perderíamos.